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11/09/2015

Painel debate a importância de ações sustentáveis para desenvolver cidades

Neste último dia do Congresso Internacional Cidades & Transportes, em comemoração aos 10 anos da Embarq Brasil, uma realização da WRI Brasil, Ani Dasgupta, diretor global do WRI Ross Centro para Cidades Sustentáveis e porta-voz do New Climate Economy, em sua palestra sobre “A nova economia climática”, destacou a importância de ações sustentáveis para desenvolver cidades e como isso influenciará no futuro das pessoas.

 

Milhões de pessoas no mundo gastam muito tempo no deslocamento casa-trabalho-casa e comprometem boa parte dos seus salários em transporte público, uma necessidade que ainda resulta em pouco tempo para a família e no convívio com modais sujos, perigosos e poluentes. “As cidades são uma grande invenção para trazer uma nova era, mas neste momento estão fazendo justamente o contrário. São estas as responsáveis por 75% da produção do efeito estufa”, afirma Dasgupta.

 

Foto: Divulgação Embarq

Foto: Divulgação Embarq

 

Os relatórios elaborados pelo New Climate Economy evidenciaram ser possível a construção de cidades de forma mais sustentável, inclusive com melhor crescimento e melhor clima. “Parece que para crescermos teremos de destruir o clima, e produzimos evidências de que o crescimento sem destruição não só é possível como também será melhor. E isso tem a ver com a maneira que gerimos e consumimos a cidade. Se estas continuarem como estão, serão geradoras de muitas despesas. Hoje 86% das maiores cidades do mundo excedem o padrão da OMS para a qualidade do ar. Este número resulta em 700 mil mortes por ano e se continuarmos assim, será inviável”.

 

Sobre o futuro, Ani defende que as decisões tomadas agora afetarão as cidades nos próximos 50 anos e há sinais de que há um novo caminho: “É necessário construir 60% dos espaços disponíveis para que todas as pessoas do mundo tenham moradia. Na Índia, por exemplo, 50% das cidades precisam ser construídas, então existe a oportunidade para fazer algo diferente; é possível projetá-las de maneira mais compacta e inclusiva”.

 

Os investimentos em transporte são fundamentais neste processo e ele considerou a implantação dos BRTs em Curitiba como o começo da revolução, até pela redução da parcela do salário gasto com o sistema: 10% do total. Também citou os resultados significativos de Bogotá, que reduziu o tempo de deslocamento da população em 30%, diminuiu a morte nas estradas em 80% e removeu das ruas 7000 ônibus privados. “Os relatórios que menciono mostram como podemos nos beneficiar destas ações boas para a economia e para o clima. Serão 3,7 toneladas de CO2 não emitidas. É muito, mas representa apenas uma parte da meta. Devemos compartilhar o que sabemos e saber onde estamos. Acho que os governos federais têm um grande papel e devem estimular melhores projetos de ubarnização. As agências internacionais também têm papel fundamental para ajudar a pular etapas. Temos de apoiar as cidades que querem adotar as ações conjuntas. É produzi-las de forma mais igualitária, produtiva e sustentável. Existem dados que devem ser usados e isso precisa ser feito para mudar a mentalidade e ajudar os nossos filhos a terem uma vida melhor “.