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06/05/2021

Presidente e diretora da Fetranspor falam no Foro Inteligência sobre risco de colapso do transporte público de passageiros no pós-pandemia

O presidente da Fetranspor, Armando Guerra, e a diretora de Mobilidade Urbana da Federação e vice-presidente da UITP América Latina, a engenheira de transportes Richele Cabral, ministraram palestra sobre o risco de colapso do transporte público de passageiros, em evento on-line, realizado pelo Foro Inteligência, no dia 4 de maio.

Segundo Guerra, a pandemia já causou perdas de R$ 12 bilhões para o setor de transporte público no Brasil. O executivo explicou que há um círculo vicioso causado pela crise econômica, que, por sua vez, foi agravada pela crise sanitária em 2020, gerando mais desemprego e menor demanda pelos modais de transporte. “Em 2014, só no Rio de Janeiro, eram 2,4 milhões de usuários de vale transporte; fechamos 2019 com 1,7 milhão; hoje, temos apenas 1,3 milhão de pessoas com esse benefício”, relatou Guerra, destacando que a crise já se arrasta há alguns anos.

Levantamento da Fetranspor apresentado pelo presidente informa que, em fevereiro de 2021, houve queda de 41% no número de passageiros em comparação com mesmo período do ano passado. Apesar da queda, a oferta caiu apenas 28%. “No pior período da pandemia, chegamos a perder 32 milhões de passageiros por dia, no Brasil”, relatou Guerra. Ele destacou também problemas de segurança, avanço de transportes clandestinos e aplicativos de transporte, que reduziram a demanda do setor. E lembrou que esse círculo vicioso gera aumento de custos, envelhecimento da frota e perda da qualidade do serviço, entre outros problemas, resultando até na falência de empresas. “O setor enfrenta vários desafios que, se não forem vencidos, levarão ao colapso operacional, linha por linha, empresa por empresa, com um inadmissível impacto para a população menos favorecida e para a segurança, em suas diversas dimensões”, afirma Guerra.

De acordo com Richele Cabral, a mobilidade urbana pós-pandemia traz muitas dúvidas, em especial sobre a demanda futura por transporte público, que caiu drasticamente com a crise sanitária. “A demanda vai voltar?”, questionou a diretora. Richele falou também sobre outras incertezas que pairam sobre o setor, como os novos padrões de mobilidade que o mundo espera e como adaptar as operações e modelos para atender as necessidades do pós-Covid. A equalização dos custos também é uma preocupação da engenheira, uma vez que a pandemia trouxe mais custos com a limpeza da frota, como gastos extras em função de novas normas higienização e sanitização. “Quem paga esses novos ajustes? Hoje, no modelo brasileiro, esses custos são pagos pela tarifa, pelo passageiro. E não é justo que o passageiro tenha mais esse custo”, avalia, ponderando que o setor, já em crise desde 2015, aumenta mais suas perdas de demanda com a pandemia.

Sobre o Foro Inteligência: Reúne o BRICS Policy Center e a Insight Comunicação, com o apoio do Instituto de Relações Internacionais (IRI) da PUC-Rio e da Casa de Afonso Arinos. O Foro manterá um canal aberto com países como China, Rússia, Índia e África do Sul. A ideia é apresentar palestras, cursos e seminários abordando problemas brasileiros não convencionais e que tangenciam as nações do bloco.