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17/03/2022

Setransol publica carta aberta à população sobre consequências do aumento do diesel para o serviço de ônibus

Mais uma entidade do setor de transporte por ônibus se manifesta sobre o aumento do óleo diesel e suas consequências para a manutenção dos serviços de transporte público para a sociedade. Em carta aberta à população, publicada dia 16 de março, o Setransol (Sindicato das Empresas de Transportes da Costa do Sol e Região Serrana) alerta sobre a situação crítica do transporte coletivo no Brasil, agravada pelos constantes reajustes do combustível.

Confira abaixo a íntegra da Carta:

Alta de combustíveis ameaça o serviço de transporte público

Gastos com óleo diesel já representam 30% do custo das empresas de transporte da Costa do Sol e Região Serrana

A situação lamentável enfrentada pelo transporte coletivo no Brasil nunca chegou a níveis tão críticos. A redução do número de passageiros transportados, aliado ao congelamento das tarifas municipais há mais de três anos, o aumento generalizado dos insumos (pneus, peças, acessórios e outros) e de quase 25% somente na primeira quinzena de março no óleo diesel inviabilizam a continuidade dos serviços de transporte de passageiros. O Setransol, sindicato que representa as empresas de ônibus da Costa do Sol e Região Serrana, afirma que o cenário é gravíssimo, pois a inoperância dos governos municipais, estadual e federal ao longo de anos em resolver o problema expõe as operadoras ao risco iminente de paralisação total das atividades.

Dentre os principais custos das empresas, o óleo diesel é um insumo essencial para operação do sistema, representando cerca de 30% do custo total das operadoras que acumulam prejuízos milionários há anos. Segundo a NTU (Associação Nacional das Empresas de Transportes Públicos), somente durante a pandemia, as empresas tiveram o prejuízo de aproximadamente R$10 bilhões, além da perda de 70 mil postos de trabalho.

O Setransol afirma que o setor não consegue suportar tantos aumentos sucessivos sem comprometer a qualidade, a eficiência, e em uma situação extrema, a continuidade dos serviços. No modelo tarifário atual previsto nos contratos de concessão, há necessidade de uma compensação do poder público ou o repasse do custo atualizado para a tarifa que é a única fonte de custeio de todo o sistema. Entretanto, o valor das tarifas também precisa ser revisto através de uma modificação da dinâmica do pagamento das gratuidades que são custeadas inteiramente pelos passageiros pagantes, tornando a tarifa elevada para quem depende do transporte e insuficiente para a manutenção dos serviços.

O Sindicato alerta às autoridades sobre o risco de redução dos quadros de horários ao longo do dia, com exceção para os horários de pico e a paralisação dos serviços das empresas de ônibus na Costa do Sol e Região Serrana, caso não seja implementada nenhuma medida efetiva a curto prazo para garantir a sobrevivência do serviço de transporte público.