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03/12/2021

Transparência no sistema de bilhetagem do Rio é tema de reunião do Fórum de Mobilidade

O Fórum Permanente de Mobilidade Urbana da Região Metropolitana do Rio de Janeiro realizou, dia 25 de novembro, reunião on-line da Divisão Técnica de Transporte e Logística do Clube de Engenharia e da Federação das Associações de Moradores do Rio de Janeiro. O tema foi a Transparência dos Dados do Sistema de Bilhetagem e Arrecadação da Riocard Mais, aplicado no sistema de Transporte Público da Região Metropolina. Coube ao diretor da RioPar, Cassiano Rusycki, e ao presidente da Fetranspor e da RioPar, Armando Guerra, falarem sobre o assunto.

O executivo destacou o fato do cartão ser aceito em todos os meios de transporte e sua atuação geográfica, que abrange 70% dos municípios do estado do Rio de Janeiro. “A Riocard faz mais de 5 milhões de viagens com o cartão por dia. Ela é uma grande processadora a nível Brasil. Além de processar 5 milhões de viagens, o cartão é aceito em todos os modais, e 60% da população economicamente ativa dentro do estado do Rio de Janeiro possui o cartão Riocard. Ele já faz parte do dia a dia das pessoas”, defendeu Rusycki.

Ainda sobre os números do cartão, Rusycki informou que atualmente há 7 milhões em uso. “São pessoas que utilizam o Riocard Mais frequentemente”, informou. “Hoje a gente faz a gestão de 19 mil validadores em todo o Estado do Rio, para os sistemas de ônibus, metrô, trem, barcas, VLT, BRT; faz pagamento diário para mais de 150 operadores (desses meios de transporte) e para mais de 2.500 permissionários (vans municipais e intermunicipais). São realizadas mais de 6,5 milhões de recargas ou vendas por mês. Além disso, a gente atende a mais de 80 mil empresas compradoras de Vale-Transporte, facilitando a vida do trabalhador”, completou.

Facilidade no pagamento
Segundo o executivo, a Riocard Mais tem seu foco principalmente no cliente do transporte público e seu objetivo é a facilidade no pagamento. “Temos que diariamente estar atentos ao uso, recarga, validação, atendimento e informação, mas traduzindo isso em facilidade de uso, de compra, de recarga, de atendimento, benefícios, tecnologia, inovação e transparência, que são as necessidades do cliente. Quem utiliza o Riocard consegue perceber esses valores”, defendeu. Rusycki falou ainda sobre a gama de produtos oferecidos pela empresa, incluindo o Vale-Transporte, cartão Empresarial, cartão Expresso, pulseira, chaveiro e mais recentemente o cartão digital, via celular. Também mencionou o cartão destinado a turistas, disponibilizado em vários hotéis do Rio de Janeiro, o Bilhete Único Carioca, para circulação na cidade do Rio de Janeiro, o Bilhete Único Intermunicipal, que possibilita a integração entre as cidades, o Bilhete Único Rio-Niterói, e as parcerias com o Metrô Rio, entre outras.

De acordo com Rusycki, 90% das transações eletrônicas são feitas com o cartão Riocard Mais, oferecendo ao poder público a oportunidade de fazer política tarifária, a partir de tarifas públicas ou de benefícios tarifários. O executivo destacou ainda a responsabilidade da Riocard pelo atendimento das gratuidades. “Hoje, em torno de três mil escolas são atendidas pelo cartão e 700 mil estudantes possuem o Riocard Mais Estudante. Tem também o Riocard Mais Especial, o Vale Social, que é um programa do Estado, através do qual a pessoa pode se deslocar para outra cidade para fazer tratamento médico. São mais de 1,3 milhão de cartões de gratuidade em uso e 34 milhões de viagens realizadas por mês. Isso tudo só é possível porque o cartão é aceito em várias cidades e vários meios de transporte”, afirmou.
Atendimento e tecnologia

O presidente da Riocard Mais informou que são realizados mais de 53 mil atendimentos por mês nas lojas e que as compras e recargas podem ser feitas pelo site, pelo aplicativo, nas lojas e nas máquinas de recarga. “Mais de 1,8 milhão de pessoas já baixaram o aplicativo, onde são feitas mais de 806 mil recargas e mais de 300 mil transações por mês. Além disso, é possível ver o saldo pelo telefone (Android), no validador, nas máquinas de recarga. Há uma série de ofertas na internet, no celular, numa estação do Metrô ou do BRT, onde você quiser consegue fazer compra e carga e verificar o saldo. “A Riocard é tecnológica e não apenas a empresa de um cartão. É composta por 500 funcionários, prontos para oferecer o melhor para o cliente”.

Rusycki falou ainda sobre a padronização e melhoria das lojas para atendimento do cliente; sobre relacionamento através das mídias sociais e do chatbot Tomais, para maior proximidade com o cliente; da parceria com o Moovit, para acompanhamento on-line dos horários dos ônibus e informações sobre como chegar ao destino desejado; do lançamento do Clube de Vantagens, que gera pontos que podem ser trocados por prêmios ou resgates com desconto pelo cliente; do canal direto com o Procon do Rio, para solução imediata de reclamações, e com municípios e o Estado; e do QRcode com informações sobre o cartão disponibilizado no verso do mesmo. Destacou ainda as indicações ao prêmio Reclame Aqui, maior prêmio de atendimento brasileiro, em 2019, 2020 e 2021. “A Riocard Mais é a maior empresa nacional e da América Latina de bilhetagem. É uma referência mundial. Os números são superlativos. Dispomos de um pacote de informações e de melhorias para facilitar a vida do nosso cliente. A relação de transparência se dá também pela proximidade e isso estamos tentando fazer cada dia mais. Sendo útil, prático e fácil”, finalizou.

Sistema custeado pelos operadores
Armando Guerra complementou as informações ressaltando o fato de que o custeio do sistema de bilhetagem no Rio de Janeiro é de responsabilidade dos operadores de transporte. “Os operadores não podem incluir na tarifa ou cobrar uma taxa para vender o produto. O custeio desse sistema é realizado pelos operadores pagando uma taxa de administração para a Riocard, uma prestadora de serviço que trabalha para os modais de transportes submetidos ao poder concedente”, disse.

Segundo o presidente da Fetranspor, os dados de todo o transporte intermunicipal são enviados diariamente para a Setrans e o Proderj. Já o Detro, autarquia que cuida do transporte intermunicipal, recebe os dados diretamente do validador dos ônibus. “Ele tem acesso aos dados na mesma velocidade que nós”, disse. Já dos ônibus municipais, as informações são enviadas a cada cinco dias. “Como existe muito transporte de van e eles podem ter alguma dificuldade em transmitir as informações, os dados são enviados após cinco dias”, acrescentou. “Portanto, a disponibilização das informações para o poder concedente é realizada regularmente. Se temos uma determinação do poder concedente sobre aqueles ônibus que são permissionados ou concedidos, podemos fazer essa transferência. Depende simplesmente do desejo de obter essas informações e da capacidade do poder público de processá-las e utilizá-las no planejamento do transporte urbano”, completou.

Validadores on-line e saldo dos cartões
Questionado sobre o número de validadores on-line, Rusycki esclareceu que atualmente, entre os 19 mil validadores existentes, 13 mil já estão funcionando on-line, graças ao investimento feito pelos operadores. Segundo o executivo, o aplicativo Moovit informa os ônibus que possuem o equipamento on-line, que inclusive permite a validação de uma carga adquirida para o cartão em menos de quatro minutos após a compra.

Outra pergunta surgida durante o debate foi com relação ao destino do saldo do cartão. Segundo o presidente da Fetranspor, em dezembro de 2016, o Estado aprovou uma legislação determinando que o saldo do contrato deveria ser encaminhado ao Fundo Estadual de Transporte. Mas, isso foi motivo de ação judicial. A Fetranspor alegou que o recurso ajudava a pagar o custo da bilhetagem e o Ministério Público defendeu a tese de que o saldo pertencia ao usuário. Em maio de 2019, em decisão no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, a tese do Ministério Público prevaleceu. “Esses recursos hoje estão todos alocados nos cartões de transporte do usuário. Não são mais créditos expirados. Ficam de posse do usuário do cartão”, disse Guerra.

Empresa está aberta à auditorias
Outro ponto bastante frisado pelo presidente da Fetranspor foi a questão da fiscalização e das auditorias. Segundo Guerra, “da mesma maneira que a prefeitura pretende controlar o novo concessionário de bilhetagem, programando uma auditoria, pode utilizar essa mesma auditoria aqui, na Riocard Mais. Para a prefeitura, seria muito mais fácil licitar apenas a auditoria prevista no edital do que fazer essa transformação total no sistema, que ela está propondo. Essa licitação traz um risco adicional, pois o edital prevê que se o concessionário do sistema de bilhetagem tiver um problema financeiro a responsabilidade será do operador. “Então esse é um discurso vazio. Na hora que a gente disponibiliza os dados e informações, as pessoas não querem fazer seu trabalho. Desde 2017 estamos fazemos todo o esforço para dar transparência. Quando o Detro disse que queria receber os dados diretamente do validador, criamos o mecanismo para isso. Então, a disponibilidade para auditar é total. O poder concedente que quiser esse acesso o terá”, finalizou.

Sobre a possibilidade de alteração dos dados no processamento, sugerida durante o debate, o presidente da Riocard Mais afirmou que é inexistente. “Estamos falando de 5 milhões de viagens por dia. Todo dia a gente soma 5 milhões de novos registros, passamos as informações para as secretarias de várias prefeituras. Essas informações são avaliadas por todos eles. Não há condições de ficar alterando. Não faz sentido. E, como já dissemos, estamos abertos à auditoria”, ressaltou.

Riocard e transporte público são coisas distintas
Sobre as gratuidades, Rusycki informou que a Riocard Mais possui controle dos alunos e disponibiliza validadores dentro das escolas. “Mas não posso divulgar essas informações que não são nossas. Somos prestadores de serviço. Se você entrar agora na página do cartão Riocard tem uma aba sobre transparência e temos colocado lá várias informações, inclusive as que vêm das secretarias de transportes dos municípios. A gente tem total interesse em fazer isso. Dizer que a gente não quer não é razoável. Não temos oposição a isso”.

Armando Guerra reafirmou: “o serviço de bilhetagem não é um serviço público. O transporte é. A crise hoje é no transporte e não na Riocard. O que se vê é reclamação na qualidade do transporte público. São coisas distintas. Nós somos prestadores de serviço para os modais de transporte. Temos contrato com todos. E a partir do momento que formos autorizados a disponibilizar as informações para toda a população, faremos isso. Para o poder concedente, já disponibilizamos tudo”. E concluiu: “Procuramos transparência total para o nosso usuário e disponibilização total de dados para o poder concedente. Não temos reclamação do Metrô, SuperVia, BRT quanto aos dados processados. Temos total interesse em disponibilizar as informações. Mas, como prestadores de serviço, precisamos da aprovação do operador para disponibilizar os dados publicamente”.